
O acrônimo “AIDS” refere-se a duas doenças similares, mas distintas, uma causada pelo vírus HIV-1, outra pelo HIV-2. A AIDS pandêmica é causada pelo HIV-1, emergiu nos EUA nos anos 80, tendo-se espalhado de lá para o mundo, e difere da AIDS africana, causada pelo HIV-2. Nas linhas a seguir, tratarei somente da AIDS pandêmica, a mais comum fora da África. A confusão entre as duas doenças distintas parece ter tido como propósito escamotear a origem da AIDS pandêmica.
A fake news: uma versão conveniente
Análises comparativas indicaram que o HIV-1, o causador da AIDS pandêmica, originou-se de um vírus que infecta Chimpanzés. Em vista disso, assumiu-se que a AIDS pandêmica teria surgido na África, onde os casos ter-se-iam mantido circunscritos até os anos 60, ou 70. Foi sugerido, além disso, que a transposição do vírus para a espécie humana teria ocorrido provavelmente no início do século XX. O incidente teria sido causado pela caça ao primata.
Essa versão falsificada vem ganhando espaço como explicação da origem da AIDS e é favorecida pela confusão decorrente do mesmo nome (AIDS) atribuído às duas doenças diferentes, uma causada pelo HIV-1, outra pelo HIV-2.
Um paradoxo inconveniente
A AIDS pandêmica, no entanto, foi observada clinicamente pela primeira vez em 1981, nos Estados Unidos, e logo associada aos 4 H’s: haitianos, homossexuais, hemofílicos e heroinômanos.
A composição dos grupos de risco acabou explicada por transfusões de sangue comuns aos hemofílicos, pela troca de sangue nas seringas compartilhadas por heroinômanos, e nas relações sexuais, especialmente as anais, entre homossexuais. O realce dos haitianos enquanto grupo de risco sugere fortemente que em 1981 a AIDS já se havia difundido amplamente no Haiti, país da América Central onde não existem chimpanzés.
A constatação sugere fortemente que o foco inicial da AIDS pandêmica tenha ocorrido no Haiti e não na África, onde encontram-se os chimpanzés originários do vírus.
Ocorre que o fluxo populacional entre o Haiti e a África, localidades distantes e pobres, é bastante reduzido. Se a infecção original das primeiras pessoas se deu na África, em decorrência da caça do animal, como e por que ela teria chegado aos haitianos antes que a povos ricos cujos fluxos migratórios com a África eram muitíssimo superiores ao do povo do Haiti?
A questão é bastante inconveniente. Profissionais de saúde baseiam suas conclusões e ações, muito frequentemente, em conveniências, fundamentando-se mais nelas que em argumentação racional.
A explicação plausível para a origem haitiana da AIDS pandêmica é suficientemente inconveniente para transformá-la em tabu, omitindo-a de quase todas as divulgações encontradas sobre o assunto.
A AIDS teria sido levada de uma espécie animal para os haitianos através de uma vacina fabricada com plasma sanguíneo dos primatas e testada entre os haitianos.
Inconveniências, racionalidade, moralidade, criminalidade e aspectos correlatos
A conclusão acima parece simples e banal. A mim parece bastante óbvio que a versão oficial da origem da AIDS justifica-se apenas por conveniências, não por argumentos racionais. A admissão da causa iatrogênica da doença, no entanto, reforçaria desconfianças relativas a vacinas e medicamentos que poderiam reduzir em bilhões os lucros dos gulosos laboratórios, sendo esse, obviamente, o fator impeditivo mais forte ao uso de abordagens racionais sobre a questão.
A naturalidade com que se permitem que considerações sobre conveniências se imiscuam sobre questões de saúde me soa pérfida.
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